teses

Quadriênio 2024 - 2021

Total de dissertações defendidas: 1 

TESES DEFENDIDAS EM 2021

Total de teses defendidas: 1

Samara Heringer Coelho do Nascimento

 Título: A crônica de María Moreno: escrita e máscaras do sujeito

Orientador(a):  Prof(a). Dr(a). Silvia Cárcamo

Páginas: 103

Resumo

Em Banco a la Sombra existe um “eu” de María Moreno que viaja por diferentes cidades do mundo e que passeia por praças e suas redondezas para captar cada movimento da urbe. Um
indivíduo que se vê a si mesmo na cidade e, mais especificamente, na experiência do espaço público, lendo-a e entendendo-a como um discurso, um ambiente que devolve ao seu
observador imagens subjetivas. Não é, portanto, um olhar turístico que permeia esses espaços, mas um olhar viajante, que também percebe, que mantêm sua vista distanciada do
comum, que não se perde na fantasia de estar em um país alheio e lhe permite enxergar sutilezas como, por exemplo, os sujeitos normalmente tratados como periféricos na cidade –
mendigos, prostitutas, imigrantes – mas que sempre habitaram esse espaço central: a praça. A presente pesquisa tem como tema o estudo de crônicas de viagem a partir da leitura e análise
da obra Banco a la Sombra, publicada em 2007, escrita por María Moreno, jornalista e escritora contemporânea argentina, responsável por um dos estilos mais reconhecidos da crônica atual. Os objetivos são os de estudar a relação espaço e sujeito a partir de teorias de Michel de Certeau (1998); discutir a relevância do topos na narrativa das crônicas que compõem o corpus, levando em consideração os estudos de Luis Alberto Silva e Silvana Oliveira (2001); e avaliar e definir a ficcionalidade ou a não ficcionalidade assim como a característica autobiográfica de Banco a la Sombra à luz de conceitos de Philippe Lejeune (1994) e dos estudos dos discursos do “eu”. Para isso, selecionamos e analisamos cinco crônicas que compõem a obra, intitulando como norteadores os aspectos “geografia literária”, que nos leva à relação espaço e sujeito; e “autoficcionalidade”, critério que identifica possíveis tensões entre o real e a ficção. Trazemos também um breve percurso sobre a história do gênero crônica, focando na tradição do mesmo na Argentina, e também os diferentes formatos e usos que o ambiente da praça teve ao longo da história, tomando como ponto de partida a Antiga Grécia. Como resultado e conclusão, entendemos a obra como híbrida, uma vez que sua narrativa se desloca frequentemente entre o real e a invenção, localizando-se, através disso, no campo da autoficção que aposta pela desestabilização das dicotomias e prefere o lugar ambíguo. Demonstramos que esse é o lugar da enunciação do gênero localizado entre o jornalismo e a ficção, que é praticado pela crônica atual. Também concluímos que o ato de viajar, não necessariamente precisa ser in situ. A observação da cidade e a troca de experiências com o lugar transcende a necessidade do deslocamento do corpo. A relação sujeito e espaço pode ser totalmente ficcional, alimentada apenas pela literatura e pela globalização cada vez mais imaginada.

Palavras-chave: Crônica de viagem; Autoficção; Geografia literária; Banco a la Sombra; María Moreno..

Abstract 

En Banco a la Sombra existe un “yo” de María Moreno que viaja por diferentes ciudades del mundo y que pasea por plazas y sus alrededores para capturar cada movimiento de la urbe.
Una viajera que se ve a sí misma en la ciudad y, más específicamente, en la experiencia del espacio público, leyéndola y entendiéndola como un discurso, un ambiente que devuelve a su
observador imágenes subjetivas. No es, por lo tanto, una mirada turística que impregna esos espacios, sino una mirada viajera, que también percibe, que mantiene bajo su vista alejada de
lo común, que no se pierde una fantasía de estar en un país ajeno y le permite ver sutilezas como, por ejemplo, los sujetos normalmente tratados como periféricos en la ciudad – mendigos, prostitutas, inmigrantes – pero que siempre habitaron ese espacio central: la plaza. La presente investigación tiene como tema el estudio de crónicas de viaje a partir de la lectura y análisis de la obra Banco a la Sombra, publicada en 2007, escrita por María Moreno, periodista y escritora contemporánea argentina, responsable por uno de los estilos más reconocidos de la crónica actual. Los objetivos son los de estudiar la relación espacio y sujeto a partir de teorías de Michel de Certeau (1998); discutir la relevancia del topos en la narrativa de las crónicas que componen el corpus, llevando en consideración los estudios de Luis Alberto Silva y Silvana Oliveira (2001); y evaluar y definir la ficcionalidad o no ficcionalidad así como la característica autobiográfica de Banco a la Sombra a la luz de conceptos de Philippe Lejeune (1994). Para esto, seleccionamos y analizamos cinco crónicas que componen la obra, nombrando como norteadores los aspectos “geografía literaria”, que nos lleva a la relación espacio x sujeto; y “autoficcionalidad”, criterio que identifica posibles tensiones, desplazándose entre lo real y la invención, situándose, por ello, en el campo de la autoficción que apuesta a la desestabilización de las dicotomías y prefiere el lugar ambiguo. Demostramos que este es el lugar de la enunciación del género ubicado entre el periodismo y la ficción que es practicado por la crónica actual. Incluímos también un breve recorrido sobre la historia del género crónica, enfocando en su tradición en Argentina, y también en los diferentes formatos y usos que el ambiente de la plaza tuvo a lo largo de la historia, teniendo como punto de partida la Antigua Grecia. Como resultado y conclusión, entendemos la obra como híbrida, desplazándose frecuentemente entre lo real y la autoficción. También concluímos que la acción de viajar, no necesariamente debe ser in situ. La observación de la ciudad y el cambio de experiencias con el lugar trasciende la necesidad del desplazamiento del cuerpo. La relación sujeto y espacio puede ser totalmente ficcional, alimentada nada más por la literatura y por la globalización cada vez más imaginada. 

Keywords: Crónica de viaje; Autoficción; Geografía literaria; Banco a la Sombra; María Moreno.

 

COORDENAÇÃO

Coordenadora/Coordinator:
Prof(a). Dr(a). Letícia Rebollo Couto
Vice-Coordenador:
Prof. Dr. Ary Pimentel

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