Doutorado

Tese 2018

Nome da autora : Júnior Vilarino Pereira

Título do trabalho: Corpos que (re)contam: o Djinn e o Queer na obra de Abdellah Taia

Resumo

Abdellah Taïa, escritor marroquino, vem publicando, desde 2004, romances e contos em língua francesa. Entre o autoficcional e o biográfico, suas ficções são ambientadas em espaços nativos (árabes e mulçumanos) e diaspóricos (laicos e europeus). Narradores e personagens transitam por culturas distintas, transcontinentais (África-Ásia-Europa), transnacionais (Marrocos-Argélia-Egito-Sudão-Irã) e nacionais (Salé-Rabat-Marrakesh, etc.), tendo suas identidades deslocadas de lugares enunciativos originais. Esses deslocamentos identitários desconstroem-se e reconstroem-se no contato com códigos culturais exógenos e por meio de formas não binárias de sexualidade, o que cria dissidências com relação a normas sexuais e religiosas. Na obra de Abdellah Taïa, há um interesse pela materialidade corpórea dos sujeitos narrativos dissidentes. O corpo é o aparato sobre o qual signos diacríticos fixam ou desestabilizam a identidade. Apossar-se do corpo próprio deriva de um nacionalismo crítico e do pós- colonialismo: recusando serem representados, esses sujeitos narrativos apropriam-se dos enunciados e/ ou da língua do outro para representar a si mesmos. Essa é base sobre a qual se assenta a enunciação dos corpos que (re) contam suas condições enquanto vidas que não contam segundo as normas. Mesclando as referências djinn (o anjo demonizado) e queer (o estranho não binário do gênero), esses corpos revisitam, citam, negam, desconstroem imaginários identitários historicamente construídos por agentes detentores dos meios expressivos da fala e que, em virtude dessa posse, se situam potencialmente no estado de dominação e de exercício da violência, tanto em contextos nativos quanto europeus, cujos atores tornam-se potenciais neocolonizadores para o sujeito da diáspora.

Palavras-chave: Literatura marroquina, corpo, diferença, diáspora, religião, gênero.

Résumé

L’écrivain marocain Abdellah Taïa publie, depuis 2004, des romans et des contes en langue française. Entre l’autofiction et la biographie, ses fictions sont ancrées dans des espaces natifs (arabes et/ou musulmans) et dans ceux de la diaspora (laïcs et européens). Les narrateurs et les personnages se déplacent à travers des cultures distinctes, transcontinentales (Afrique-Asie-Europe), transnationales (Maroc-Algérie-Égypte-Soudan-Iran) et nationales (Salé-Rabat-Marrakesh, etc.), dont les identités sont déplacées de leurs énonciations originelles. Ces déplacements se déconstruisent et reconstruisent au contact de nouveaux codes culturels et par le moyen de formes non binaires de la sexualité, ce qui entraîne des dissidences par rapport à des normes sexuelles et religieuses. Dans l’oeuvre d’Abdellah Taïa, il y a un intérêt pour la matérialité corporelle des sujets narratifs dissidents. Le corps est l’artefact sur lequel les signes diacritiques fixent ou déstabilisent l’identité. S’approprier son propre corps relève d’un nationalisme critique et de la postcolonialité: en refusant d’être représentés, ces sujets narratifs s’approprient les énoncés et/ou la langue de l’autre pour se représenter eux-mêmes. Voilà la base sur laquelle est ancrée l’énonciation des corps qui (ra) comptent leurs conditions en tant que vies qui ne comptent pas pour les normes. Tout en mêlant les références djinn (l’ange démonisé) et queer (l’étrange non binaire du genre), ces corps revisitent, citent, nient, reconstruisent des imaginaires identitaires historiquement construits par des agents détenteurs des moyens expressifs de la parole et qui, en raison de cette possession, sont potentiellement dans les conditions de domination et d’exercice de la violence, aussi bien dans les contextes natifs que dans les européens, dont les acteurs peuvent devenir des néocolonisateurs pour le sujet de la diaspora.

Mots-clés: Littérature marocaine, corps, différence, diaspora, religion, genre.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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