Doutorado

Tese 2017

Nome da autora : Diego da Silva Vargas

Título do trabalho: O plano inferencial de leitura e o ensino de espanhol na escola brasil

Resumo

Esta tese, como um trabalho em Linguística Aplicada, busca “criar inteligibilidades” (MOITA LOPES, 2006) sobre seu objeto central – o trabalho com o plano inferencial de leitura nos livros didáticos de língua espanhola – e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção de alternativas para os problemas nela apresentados. Para isso, foram selecionados como objetos de análise documentos e materiais que estão sendo denominados de objetos reguladores do ensino, uma vez que demonstram “o que se pensa oficialmente sobre o ensino de” (GERHARDT, 2013) língua espanhola. São eles: os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira (BRASIL, 1998), os editais do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2011 (BRASIL, 2009) e de 2014 (BRASIL, 2012) e sete livros voltados para a escola brasileira e produzidos entre os anos de 2004 e 2013 para o 6o ano do ensino fundamental (dois livros anteriores ao primeiro edital do PNLD, os dois aprovados no PNLD 2011, um não aprovado nos dois editais, produzido entre eles, e os dois aprovados no PNLD 2014). Também compõem os corpora desta tese as respostas dos alunos de uma turma do 6o ano para quatro atividades de leitura: uma de cada um dos livros anteriores ao PNLD e uma de cada um dos aprovados no PNLD 2014. Para fundamentar essa análise, parte-se dos princípios tomados como teórico-éticos da Linguística Aplicada e de estudos voltados para a compreensão da escola brasileira, das práticas escolares de letramento e da educação linguística (KLEIMAN, 1995; RAJAGOPALAN, 2003; 2006; 2013; MOITA LOPES, 2006; 2013; PENNYCOOK, 2006; MENEZES, SILVA e GOMES, 2009; PARAQUETT, 2009; BARROS e COSTA, 2010; GERHARDT, 2013; entre outros). Além disso, advoga-se pela inserção dos estudos em cognição nesse campo, uma vez que a tese se propõe a discutir a construção de significados por meio da leitura e o processo de aprendizagem que se constrói em sala de aula. Assim, defende-se uma visão de cognição como social e cultural, intersubjetival, corporificada, baseada em frames e desenvolvida por meio de mesclagens conceptuais (SALOMÃO, 1998, 1999, 2003; TOMASELLO, 1999; MIRANDA, 2001; FAUCONNIER e TURNER, 2002; GEERAERTS, 2006a; SINHA, 1999, 2003; SINHA e JENSEN DE LOPÉZ, 2000; DUQUE, 2015; entre outros); em resumo, da noção de que a cognição é distribuída (HUTCHINS, 2000; ZHANG e PATEL, 2008; GERHARDT, 2012; 2014; DUQUE, 2014). Incorpora-se também a essa discussão o conceito de políticas cognitivas (KASTRUP, 2005, 2012, 2015; DIAS, 2012). Com base nisso, define-se a leitura como desenvolvida por meio de sucessivas integrações conceptuais entre o conhecimento prévio do leitor e as informações postas explicitamente no texto. Dessas integrações, surgem as inferências construídas pelo leitor. Estudos sobre a história social do livro didático (ERES FERNÁNDEZ, 2000; 2012; GERALDI, 2003; BATISTA, 2003; 2004; BATISTA e COSTA VAL, 2004; GALVÃO e BATISTA, 2009, entre outros) e do ensino de língua espanhola (CELADA e GÓNZALEZ, 2000; DAHER, 2006; PARAQUETT, 2009; FREITAS, 2011, entre outros) no Brasil também são trazidos à tese para que se entenda o contexto histórico que leva a produção dos materiais analisados. A análise demonstra o predomínio de uma visão de aprendizagem como recognição e de leitura como reprodução tanto nos documentos oficiais como nos livros didáticos. Ainda que historicamente se note uma melhora no trabalho com a leitura nas coleções, em função, principalmente, do PNLD, não se nota ainda o desenvolvimento de um trabalho didático que tenha sido capaz de alterar o predomínio de uma política de recognição que leva à formação de aprendizes reprodutores. A escola, então, por meio desses materiais, acaba desenvolvendo práticas que invalidam os conhecimentos construídos pelos alunos antes, durante e depois das leituras desenvolvidas em sala de aula, sendo, assim, silenciados. Considerando o lugar de poder que a escola ocupa na formação de aprendizes – e, consequentemente, de cidadãos –, urge, então, lutarmos para alterar essa situação.

Palavras-chave: educação linguística em língua espanhola, leitura, cognição,
inferência, livro didático, políticas cognitivas

Resumen

Esta tesis, como un trabajo en Linguística Aplicada, busca “crear inteligibilidades” (MOITA LOPES, 2006) sobre su objeto central – el trabajo con el plano inferencial de lectura en libros didácticos de lengua española, bien como contribuir para la construción de alternativas para los problemas en ella presentados. Para eso, se seleccionaron como objetos de análisis documentos y materiales que aquí se denominan objetos reguladores de la enseñanza, una vez que demuestran “lo que se piensa oficialmente sobre la enseñanza de” (GERHARDT, 2013) lengua española. Son esos: los Parámetros Curriculares Nacionales de Lengua Extranjera (BRASIL, 1998), los pliegos de condiciones del Programa Nacional del Libro Didáctico (PNLD) de 2011 (BRASIL, 2009) y de 2014 (BRASIL, 2012) y siete libros direccionados a la escuela brasileña y producidos entre los anos de 2004 y 2013 para el 6o año de la enseñanza fundamental (dos libros anteriores al primer PNLD, los dos aprobados en el PNLD 2011, un no aprobado en las dos ediciones, producido entre esas, y los dos aprobados en el PNLD 2014). También componen los corpora de esta tesis las respuestas de los alumnos de un grupo de 6o año para cuatro actividades de lectura: una de cada uno de los libros anteriores al PNLD y una de cada uno de los aprobados en el PNLD 2014. Para fundamentar tal analisis, se parte de los principios tomados como teórico-éticos de la Linguística Aplicada y de los estudios que buscan comprender la escuela brasileña, las prácticas escolares de literacidad y la educación lingüística (KLEIMAN, 1995; RAJAGOPALAN, 2003; 2006; 2013; MOITA LOPES, 2006; 2013; PENNYCOOK, 2006; MENEZES, SILVA e GOMES, 2009; PARAQUETT, 2009; BARROS e COSTA, 2010; GERHARDT, 2013; entre otros). Además, se defiende la inserción de los estudios en cognición en ese campo, una vez que la tesis se propone a discutir la construción de significados a través de la lectura y el proceso de aprendizaje que se construye en aula. De ese modo, se defiende una visión de cognición como social y cultural, intersubjetival, corporificada, basada en frames y desarrollada a través de blendings (SALOMÃO, 1998, 1999, 2003; TOMASELLO, 1999; MIRANDA, 2001; FAUCONNIER e TURNER, 2002; GEERAERTS, 2006a; SINHA, 1999, 2003; SINHA e JENSEN DE LOPÉZ, 2000; DUQUE, 2015; entre otros); en resumen, de cognición distribuida (HUTCHINS, 2000; ZHANG e PATEL, 2008; GERHARDT, 2012; 2014; DUQUE, 2014). Se agriega a tal discusión el concepto de políticas cognitivas (KASTRUP, 2005, 2012, 2015; DIAS, 2012). Se define la lectura como desarrollada a através de sucesivas integraciones conceptuales entre el conocimento previo del lector y las informaciones lineales del texto. De dichas integraciones, se producen las inferencias del lector. Se traen también estudios sobre la historia social del libro didáctico (ERES FERNÁNDEZ, 2000; 2012; GERALDI, 2003; BATISTA, 2003; 2004; BATISTA e COSTA VAL, 2004; GALVÃO e BATISTA, 2009, entre otros) y de la enseñanza de la lengua española (CELADA e GÓNZALEZ, 2000; DAHER, 2006; PARAQUETT, 2009; FREITAS, 2011, entre otros) en Brasil para que se entienda el contexto histórico que lleva a la produción de los materiales analisados. El análisis demuestra el predominio de una visión de aprendizaje como recognición y de lectura como reprodución tanto en los documentos oficiales como en los libros didácticos.
Aunque historicamente se note una mejora en el trabajo con la lectura en las coleciones, principalmente, debido al PNLD, no se nota todavia el desarrollo de un trabajo didáctico que sea capaz de alterar el predominio de una política de recognición que lleva a la formación de aprendizes reprodutores. La escuela, a través de tales materiales, desarrolla, entonces, prácticas que invalidan los conocimientos construidos por los alunmos antes, durante y después de las lecturas que desarrollan en aula. Así, son silenciados. Si consideramos el lugar de poder que la escola ocupa en la formación de los aprendizes – y, consecuentemente, de los ciudadanos –, urge, entonces, que luchemos para cambiar dicha realidad.

Palabras clave: educación linguística en lengua española, lectura, cognición,
inferencia, libro didáctico, políticas cognitivas

Abstract

This thesis, framed within the Applied Linguistics field, aims at “creating intelligibilities” (MOITA LOPES, 2006) about its central object – the work with the reading inferential plain of textbooks of Spanish – and, at the same time, contributing for the construction of alternatives for the problems presented herein. For that, as objects of analysis, documents and materials that are being called teaching regulator objects have been selected, since they demonstrate “what is the official thinking about the teaching of” (GERHARDT, 2013) Spanish. They are: the National Curriculum Parameters for Foreign Language (BRASIL, 1998), the public notice of the National Program for the Textbook (PNLD) published in 2011 (BRASIL, 2009) and 2014 (BRASIL, 2012) as well as seven books targeted to the Brazilian school and produced between the years of 2004 and 2013 for the 6th grade of fundamental education (two books published prior to the first public notice of the PNLD; the two ones approved in PNLD 2011; one not approved in either notice, produced in between them; and the two ones approved in PNLD 2014). The corpora of this thesis are also composed of the answers provided by students in a 6th grade to four reading activities: one from each of the books prior to the PNLD and one from each of the approved in the PNLD 2014. To guide this analysis, I follow the theoretical-ethical principles of Applied Linguistics and studies targeted to the comprehension of the Brazilian school, of schooling literacy practices and linguistic education (KLEIMAN, 1995; RAJAGOPALAN, 2003; 2006; 2013; MOITA LOPES, 2006; 2013; PENNYCOOK, 2006; MENEZES, SILVA e GOMES, 2009; PARAQUETT, 2009; BARROS e COSTA, 2010; GERHARDT, 2013; amongst others). Furthermore, I advocate for the inclusion of studies of cognition in this field, since the purpose of this thesis is to discuss the construction of meanings through reading and the process of learning constructed in the classroom. Hence, I view cognition as social and cultural, intersubjectival, embodied, based on frames and developed through conceptual blendings (SALOMÃO, 1998, 1999, 2003; TOMASELLO, 1999; MIRANDA, 2001; FAUCONNIER e TURNER, 2002; GEERAERTS, 2006a; SINHA, 1999, 2003; SINHA e JENSEN DE LOPÉZ, 2000; DUQUE, 2015; amongst others); in summary, cognition is distributed (HUTCHINS, 2000; ZHANG e PATEL, 2008; GERHARDT, 2012; 2014; DUQUE, 2014). I also include in this discussion the concept of cognitive policies (KASTRUP, 2005, 2012, 2015; DIAS, 2012). Based on such concept, reading is defined as developed through recurrent conceptual integration between the reader’s prior knowledge and the information explicitly presented in the text. From such integrations, inferences are
constructed by the reader. Studies of the history of the textbook (ERES FERNÁNDEZ, 2000; 2012; GERALDI, 2003; BATISTA, 2003; 2004; BATISTA e COSTA VAL, 2004; GALVÃO e BATISTA, 2009, amongst others) and of the teaching of Spanish (CELADA e GÓNZALEZ, 2000; DAHER, 2006; PARAQUETT, 2009; FREITAS, 2011, amongst others) in Brazil are also important to this thesis so that historical context influencing the production of the material analyzed is fully taken into consideration. The analysis shows the prevalence of a view of learning as recognition and reading as reproduction both in official documents and in textbooks. Even though historically we notice some improvement in the work done on reading, mainly because of the PNLD, we still do not see a didactic effort that has been able to change the prevalence of this politics of recognition that leads to reproducer learners. The school, then, through these materials, develops practices that invalidate the knowledges constructed by the students before, during and after the readings developed in the classroom, which are, thus, silenced. Considering the privileged power position the school occupies in the upbringing of learners – and, consequently, of citizens -, it is urgent, then, that we struggle to change such situation.

Keywords: linguistic education in Spanish, reading, cognition, inference, textbook, cognitive policies

Letícia Rebollo Couto

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Ary Pimentel

 

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