Doutorado

Tese 2017

Nome da autora : Anna Basevi

Título do trabalho: O estranho-estrangeiro na obra de primo Levi

Resumo

Nosso trabalho propõe uma leitura do escritor-testemunha italiano Primo Levi
(1919-1987), numa perspectiva literária organizada por léxico, metáforas e imagens específicos. A abordagem justifica-se pela recorrência das palavras straniero-estraneo- strano e a interseção da figura do estrangeiro com o estranho e a estranheza. As tipologias de estrangeiro ora se movem no espaço da barbárie nazista (Arendt, Todorov, Bauman) que marca o estrangeiro como inimigo, ora são motivados por uma atitude de hospitalidade (Derrida, Ricoeur). Ao acompanhar as figuras de estrangeiro no contexto do exílio, dentro e fora de Auschwitz, se delineiam modalidades de viagem como a catábase, o nóstos e a diáspora judaica, numa narrativa frequentemente comprometida com elementos intertextuais, especialmente provindos da tradição homérica e bíblica. Outro aspecto do estranho concerne ao unheimlich, ao duplo ou à sombra e se revela na problemática do submerso, mas também na tradução de O processo de Franz Kafka. Afinidades e diferenças instigantes entre Kafka e Levi afloram no diálogo que estabelecemos entre as personagens de Odradek e Hurbinek, de onde surge mais uma faceta do estranho estrangeiro. Algumas divisões-chave claro/escuro, submersos/salvos, racional/irracional resultam capazes de produzir ambivalências, mas também estratificações interessantes de sua escrita. Como a crítica italiana aponta há pelo menos duas décadas, Levi demonstra ser um grande autor do século XX, mais complexo do que quando se lê sua obra apenas como documento testemunhal.

Palavras-chave: Primo Levi, estrangeiro, estranho, testemunho.

Riassunto

Il presente lavoro intraprende la lettura dell ́opera di Primo Levi (1919-1987) in una prospettiva letteraria organizzandone lessico, metafore, immagini specifiche. L ́approccio si organizza intorno alla ricorrenza dei termini straniero-estraneo-strano e all ́intersezione della figura dello straniero con l ́estraneo e lo strano. Le tipologie di straniero si muovono ora in uno spazio di barbarie totalitarista (Arendt, Todorov, Bauman) che segna lo straniero come nemico, ora motivati da un atteggiamento di ospitalità (Derrida, Ricoeur). Seguendo le figure di straniero in esilio, dentro e fuori Auschwitz, si delineano modalità narrative del viaggio quali la catabasi, il nóstos e la diapora, in una scrittura spesso impegnata nel dialogo intertestuale con le tradizioni
omerica e biblica. Un ulteriore aspetto dell ́estraneo riguarda l ́ unheimlich, il doppio, l ́ombra che si rivelano nella problematica del sommerso, ma anche nella traduzione de Il processo di Franz Kafka. Affinità e differenze intriganti tra i due scrittori affiorano nel dialogo che cerchiamo di stabilire tra i personaggi di Odradek (Kafka) e Hurbinek (Levi), da cui sorge un ́altra sfaccettatura dell ́estraneo-straniero. Alcune opposizioni-chiave chiaro/scuro, sommersi/salvati, razionale/irrazionale si dimostrano capaci di produrre ambivalenze e stratificazioni interessanti nella scrittura. Come già gran parte della critica italiana indica da una ventina d ́anni, Levi dimostra di essere un grande scrittore del XX secolo, più complesso di ciò che risulta quando si vede nella sua opera solo un documento di testimonianza.

Parole-chiave: Primo Levi, estrangeiro, estranho, testemunho.

Abstract

This dissertation aims to present a reading of Primo Levi’s work according to a literary perspective organized by specific lexis, metaphors and images. The approach is justified by the recurrence of the words straniero-estraneo-strano and the intersection of the foreigner, that or who is strange and unfamiliarity. The types of foreigners sometimes move in the barbarian and totalitarian space (Arendt, Todorov, Bauman) that marks the foreigner as enemy; other times, they are moved by an attitude of hospitality (Derrida, Ricoeur). In following Levi’s foreigners throughout the exile, inside and out of Auschwitz, travelling modalities such as catabases, Nóstos and the Jewish diaspora appear, in a narrative often full of intertextual elements, especially from the Homeric and biblical traditions. Another aspect of the strange refers to the unheimlich, to the double, or to the shadow, and reveals itself in the question of the submerged, but also in the translation of Franz Kafka’s The Process. Intriguing affinities and differences come to the surface because of the dialogue established between the Kafka and Levi’s characters Odradek and Hurbinek. Some key divisions, clear/dark, submerged/safe, rational/irrational are able to produce ambivalences but also interesting stratifications. As the Italian criticism has pointed during the last twenty years, at least, Levi is a great twentieth century writer, whose work is much more complex than the label “testimonial” can be.

Keywords: Primo Levi, foreigner, strange, witness.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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