Doutorado

Tese 2016

Nome da autora: Gisele Batista da Silva

Título do trabalho: Língua, literatura e tradução: a tríade da Bildung leopardiana.

Resumo

Esta tese se propõe a identificar e descrever elementos e características de um projeto de formação espiritual e intelectual (Bildung) do poeta, filólogo e tradutor italiano Giacomo Leopardi (1798-1837), como resposta ao processo de enfraquecimento da cultura italiana do século XIX. Identificamos na crítica que Leopardi faz aos modelos linguístico e literário da Itália oitocentista que os mesmos não representavam o carattere italiano, posto que influenciados por certo imaginário que se divulgava sobre a península itálica e por um olhar interno de desinteresse ou de costumes estrangeiros que renunciava à própria consciência histórica e cultural. Leopardi inicia, então, a produção de algumas obras (anotações em diário intelectual, cartas, discursos e poemas) que, tanto pelo conteúdo quanto pela estrutura que propunham, indicam a elaboração de um programa de formação espiritual e intelectual para os italianos, em que língua, literatura e tradução figuravam como os principais elementos formadores de autoconsciência, de uma imagem de si. Nesse percurso leopardiano, língua representava o instrumento principal para a existência de uma alta e harmoniosa formação das forças intelectivas; a literatura era o locus de organização, legitimação e atualização da língua e da cultura, por meio do qual o carattere italiano era divulgado e, finalmente, a prática tradutória, com seu papel mediador, implementava um espaço de tutela e preservação das propriedades e da identidade das línguas e culturas. Língua, literatura e tradução mostravam-se, portanto, como espaços formadores e identificadores da cultura italiana na Bildung leopardiana.

Palavras-chave: literatura italiana, Giacomo Leopardi, Bildung.

Riassunto

La tesi si propone di identificare e descrivere gli elementi e le caratteristiche di un progetto di formazione spirituale e intellettuale (Bildung) del poeta, filologo e traduttore italiano Giacomo Leopardi (1798-1837), in risposta al processo di indebolimento della cultura italiana del XIX secolo. Individuiamo nella critica di Leopardi ai modelli linguistico e letterario dell’Italia dell’Ottocento che questi non rappresentavano il carattere italiano, in quanto influenziati da un immaginario diffuso nella pensiola italica e da uno sguardo interno di disinteresse oppure di costumi stranieri che rinunciava alla propria coscienza storica e culturale. Leopardi poi inizia la produzione di alcune opere (note sul diario intellettuale, lettere, discorsi e poemi) le quali, tanto per il contenuto quanto per la struttura che proponevano, indicano lo sviluppo di un programma di formazione spirituale e intelletuale per gli italiani, in cui la lingua, la letteratura e la traduzione appaiono come principali elementi formativi di autocoscienza, di un’immagine di sé. In questo percorso leopardiano la lingua rappresentava lo strumento principale per l’esistenza di un’elevata e armoniosa formazione delle forze intellettive; la letteratura era il locus di organizzazione, legittimità e aggiornamento della lingua e della cultura, attraverso il quale il carattere italiano era propagato e, finalmente, la pratica traduttiva, con il suo ruolo mediatore, fondava uno spazio di tutela e di preservazione delle proprietà e dell’identità delle lingue e delle culture. Lingua, literatura e traduzione si presentavano come spazi di formazione e di individuazione della cultura italiana nella Bildung leopardiana.

Parole chiave: letteratura italiana, Giacomo Leopardi, Bildung.

Abstract

This doctoral dissertation’s aim is to identify and describe elements and features of an intellectual and spiritual self-cultivation project (Bildung) of the poet, philologist and translator, the Italian Giacomo Leopardi (1798-1837). The project was built in response to the weakening process of Italian culture in the nineteenth century. In Leopardi’s critique to the linguistic and literary models in the Italy of the eighteenth century we could acknowledge that those models did not represent the Italian carattere. The models were actually influenced by a certain imaginary that was spread over the Italian peninsula and by an inside look filled either with disinterest or with foreign habits that disclaimed their own historical and cultural awareness. Leopardi then started to produce pieces of work (intellectual journal entries, letters, speeches and poems) that both the content and the structure would indicate the preparation of a spiritual and intellectual self-cultivation program for the Italians. In this program, language, literature and translation featured as the main elements that would build self-awareness or self image. Along this leopardian path, language would represent the main instrument for the existence of a high and harmonic building process of intellectual forces; literature would be the locus of the organization, affirmation and update of both culture and language, through which the Italian carattere was disclosed; and finally, the translation practice, as an intermediate, would establish guardianship and protection of proprieties and identities of language and culture. Language, literature and translation unveil, therefore, as means for self-cultivation and identifiers of the Italian culture in Leopardian’s Bildung.

Keywords: Italian literature, Giacomo Leopardi, Bildung.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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