Doutorado

Tese 2015

Nome da autora : Cristiane Maria de Souza

Título do trabalho: A hierarquização do francês oficial e das línguas regionais na França, através do imaginário do “falar bem” e do “falar mal” implantado na Revolução Francesa: a língua da liberdade reprimindo o multilinguismo.

Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo verificar a hierarquização do francês oficial e das línguas regionais na França em meio às tentativas instituídas e desenvolvidas no período da Revolução Francesa de aniquilação destas línguas desvalorizadas. Chamadas em nossos dias de línguas regionais na Comunidade Européia, são conhecidas de forma marcada (Labov, 1972) como “patoás” por uma boa parte da população francesa que as considera como elementos marginais na nação. Pretendemos averiguar, assim, a busca por uma identidade nacional francesa que possibilitou a tomada de poder da língua que se tornou oficial e a consequente marginalização das menos aceitas socialmente no solo francês. Esta marginalização fora oriunda da discriminação entre os falares encontrados
no país como “falares rústicos”, “de ignorância”, “corrompidos”, “jargões”, “dialetos grosseiros”, etc. Logo, os indivíduos falantes destas línguas seculares tiveram suas formas de fala taxadas como o “falar mal” socialmente, sendo inaceitável a idéia de bilinguismo na nação que se desenvolvia como Estado Nacional. Os que dominavam o discurso revolucionário expresso através da ferramenta da língua oficial eram considerados como portadores do “falar bem”, multiplicadores da “língua da liberdade”. Deste modo, usamos como corpus de pesquisa as cartas enviadas ao político jacobino, o abade Henri Grégoire, no período de 1790 a 1794 em resposta ao seu questionário sobre a necessidade de aceitar o francês oficial como língua de todo o território francês e
assim, a consequente e imaginada aniquilação das línguas regionais. Assim, através da análise crítica dos documentos citados, procuramos elementos de sentido nacionalistas e de exaltação à língua oficial, a partir das visões de nacionalismo desenvolvidas por Guellner (1989) e Anderson (1983). Do mesmo modo, avaliamos nos documentos as imagens etnocêntricas de língua padrão com escrita standard e portadora do discurso oficial revolucionário a partir do auxílio de textos de Todorov (1989) e Lévi-Strauss (2008) em comparação ao ideal marginalizatório embutido nas línguas regionais no momento histórico em questão.

Palavras-chave: hierarquização/ línguas regionais / francês oficial

Résumé

Ce travail de recherche a pour l’objectif vérifier la hiérarchisation du français officiel et des langues régionales en France dans les essais imposées et développées pendant la période de la Révolution Française de destruction des langues dévalorisées. Nommées aujourd’hui de langues régionales dans la Communauté Européenne, elles sont connues par la plupart de la population française de façon marquée (Labov, 1972) comme « patois » qui les considèrent comme des éléments marginaux dans la nation. Nous avons l’intention de vérifier, de cette façon, la quête d’une identité nationale française qui a possibilité la prise du pouvoir de la langue qui est devenue officielle et la conséquente marginalisation des langues moins acceptées socialement au territoire français. Cette marginalisation a commencé par la discrimination entre les parleurs rencontrés dans le pays comme des « parleurs rustiques », « de l’ignorance », « corrompus », « des jargons », « des dialectes grossiers », etc. Alors, les individus parleurs de ces langues séculaires ont eu leurs manières de parler estimées comme le « mauvais parler » socialement, vue comme inacceptable l’idée de bilinguisme dans la nation qui se développait comme État National. Ceux qui dominaient le discours révolutionnaire exprimé à partir de l’outil de la langue officielle étaient considérés comme des porteurs du « bien parler », des multiplicateurs de la « langue de la liberté ». De cette manière, nous avons utilisé comme corpus de recherche les lettres envoyées au politicien jacobin, l’abbé Henri Grégoire, pendant la période de 1790 à 1794 en réponse au questionnaire à propos de la nécessité d’accepter le français officiel comme la langue de tout le territoire français et ainsi, le conséquent et imaginé anéantissement des langues régionales. Donc, à partir de l’analyse critique des documents cités, nous avons
cherché des éléments de sens nationalistes et d’exaltation de la langue officielle, en nous basant aux visions de nationalisme développées par Guellner (1989) et Anderson (1983). De la même façon, nous avons évalué dans les documents les images ethnocentriques de la langue patron avec une écriture standard et porteuse du discours officiel révolutionnaire à partir de l’aide des textes de Todorov (1989) e Lévi-Strauss (2008) en comparaison à l’idéal de marginalisation donné aux langues régionales au moment historique en question.

Mots-clés: hiérarchisation/ langues régionales / français oficiel.

Abstract

This research aims to analyze the process responsible for the hierarchical status of official French in relation to other ancient, devalued and, for some, extinguishable languages, during the French Revolution. These regional languages are still considered to be marginal languages in France and are currently known either as regional languages in the European Community, or as ‘patoás’ (Labov, 1972) by most French people. We intend to study the quest for a French national identity, which allowed the dominant variety of the language to overpower the others, becoming the official language and consequently creating the marginal status of the other varieties. The marginalization process arises out of linguistic and social discrimination against different languages in France, which were taken as examples of rustic, ignorant, corrupted, jargon-like or, even, gross dialects. The consequence of such linguistic prejudice was that speakers of these individuals secular languages had their forms of speech evaluated as inferior language, making the idea of bilingualism unacceptable, in the newly National State. Those who dominated the revolutionary discourse expressed through the official language were considered experts of that language and in charge of spreading the “language of liberty”. Our research corpus is compound of letters sent by Jacobin, the politician, to abbot Henri Grégoire, during the period between 1790-1794, in response to his questionnaire on the need of accepting official French as the only language of France, and of the consequent annihilation of regional languages. Through critical analysis of the cited documents, nationalist elements and elements of exaltation of the official language were observed in the light of Guellner (1989) and Anderson’s (1983) visions on nationalism. Similarly, the ethnocentric images of standard language with
standard writing carrying the revolutionary official discourse were evaluated. Texts from Todorov (1989) and Levi-Strauss (2008) on the idealistic, stigmatizing conception embedded in regional languages in such historical moment were used.

Keywords: hierarchy/ regional languages/ official French

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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