Mestrado

Dissertação 2019

Nome da autora : Eduarda Araújo da Silva Martins

Título do trabalho: L’Assommoir, de Émile Zola, na França e no Brasil: de romance da classe operária a obra moral

Resumo

Esta Dissertação trata da recepção crítica da obra L’Assommoir, de Émile Zola, na imprensa parisiense entre 1876 e 1879 – período que cobre a publicação do romance seriado, seu lançamento em volume e sua adaptação para o teatro – e na imprensa do Rio de Janeiro entre 1877 e 1881. Observam-se, na perspectiva de Pierre Bourdieu, as posições ocupadas por Émile Zola em sua trajetória de escritor no âmbito dos campos literários francês e brasileiro, assim como seu processo de acumulação de capital simbólico e sua projeção internacional na República Mundial das Letras (CASANOVA, 2002). Para compreender a recepção de L’Assommoir na França e no Brasil, o estudo se vale da noção de transferência cultural (ESPAGNE & WERNER, 1987), que leva em conta os contextos socioculturais e políticos das culturas de origem e daquelas de recepção da obra literária. Tendo em vista que os mediadores culturais atuam no processo das transferências culturais, leva-se em consideração a função do crítico. Buscou-se, portanto, traçar a orientação política e ideológica dos críticos e dos jornais, a fim de compreender seus julgamentos acerca da obra. As críticas selecionadas constituem fontes primárias disponíveis nos sites da Bibliothèque Nationale de
France e da Fundação Biblioteca Nacional. Assim, foi constatado que, à época da publicação de L’Assommoir na França, a literatura de Zola já era associada ao seu posicionamento político. Se, por um lado, as descrições e a linguagem do romance desagradaram grande parte dos críticos, incluindo aqueles da imprensa republicana, por outro, a grande maioria reconheceu o talento do escritor. No Brasil, num primeiro momento, a recepção revelou uma polarização da imprensa: por um lado, críticos conservadores rejeitaram a obra e o talento do autor; por outro lado, jornalistas manifestaram apoio à estética naturalista, legitimando a obra de Zola e reconhecendo seu valor como escritor. Em 1881, a crítica deu um novo acolhimento à obra, então adaptada para os palcos, realizando novas análises e atribuindo um maior reconhecimento à estética do escritor.

Palavras-chave: L’Assommoir, Émile Zola, Imprensa francesa, Imprensa brasileira, naturalismo.

Résumé

Ce mémoire de Master traite de la réception critique de l’œuvre L’Assommoir, d’Émile Zola, dans la presse parisienne entre 1876 et 1879 – période qui couvre la publication du roman en épisodes, sa sortie en volume et son adaptation pour le théâtre – et dans la presse de Rio de Janeiro entre 1877 et 1881. On observe, dans la perspective de Pierre Bourdieu, les positions ocupées par Émile Zola dans sa trajectoire d’écrivain dans les champs littéraires français et brésilien, ainsi que son processus d’accumulation de capital symbolique et sa projection internationale dans la République mondiale des lettres (CASANOVA, 2002). Afin de
comprendre la réception de L’Assommoir en France et au Brésil, ce travail se fonde sur la notion de transfert culturel (ESPAGNE & WERNER, 1987), qui prend en compte les contextes socioculturels et politiques des cultures d’origine et de celles de la réception de l’œuvre littéraire. Vu que les passeurs culturels agissent dans le processus de transferts culturels, on considère la fonction du critique tenant compte de son orientation politique et idéologique et de celles des journaux, afin de mieux comprendre les jugements de l’œuvre. Les textes critiques sélectionnés sont des documents de sources primaires numérisés sur les
sites de la Bibliothèque Nacionale de France et de la Fundação Biblioteca Nacional. On a constaté que, à l’époque de la publication de L’Assommoir en France, la littérature de Zola était déjà associée à son positionnement politique. Si, d’une part, les descriptions et le langage du roman déplurent à une grande partie des critiques, même à ceux de la presse républicaine, de l’autre, la grande majorité d’entre eux reconnurent le talent de l’écrivain. Au Brésil, dans un premier moment, la réception a révélé une polarisation de la presse : d’une part, les critiques conservateurs refusèrent et l’œuvre et le talent de l’auteur ; de l’autre, certains journalistes manifestèrent leur appui à l’esthetique naturaliste, en légitimant l’œuvre de Zola et en reconnaissant son talent d’écrivain. En 1881, la critique a fait un nouvel accueil à l’œuvre, alors adaptée à la scène, en produisant de nouvelles analyses et en attribuant une plus grande reconnaissance à l’esthétique de l’écrivain.

Mots-clés: L’Assommoir; Émile Zola; Presse française; Presse brésilienne; Naturalisme.

Abstract

This dissertation addresses the critical reception of Émile Zola’s work L’Assommoir in the Parisian press between 1876 and 1879 – a time period that covers the publishing of the serial novel, its launching in volume and its adaptation to the theatre – and also in Rio de Janeiro’s press between 1977 and 1881. In Pierre Bourdieu’s perspective, the positions assumed by Émile Zola in his trajectory as a writer in the scope of the French and Brazilian literary fields are observed as well as his process of accumulation of symbolic capital and his international projection in the World Republic of Letters (CASANOVA, 2002). To comprehend the
reception of L’Assommoir in France and in Brazil, the study draws upon the notion of cultural transfer (ESPAGNE & WERNER, 1987), that considers the sociocultural and political contexts of the cultures of origin and those of reception of the literary work. Bearing in mind that cultural mediators act upon the process of cultural transfers, the role of the critic is taken into consideration. Thus, an effort to trace the critics’ and newspapers’ political and ideological orientations has been deployed in order to comprehend their judgments towards the piece of work. The selected critiques constitute primary sources available on the Bibliothèque Nationale de France’s and the Fundação Biblioteca Nacional’s websites. Ergo, it was determined that at the time L’Assommoir was published in France, Zola’s literature was already associated to his political stance. If on the one hand the descriptions and the language of the novel displeased a large part of the critics, including those of the republican press; on the other hand, journalists showed their support to the naturalistic aesthetics, legitimizing
Zola’s work and acknowledging his worth as a writer. In 1881, the critique gave the work, then adapted to the stages, a new reception, conducting new analyses and attributing a greater acknowledgement to the writer’s aesthetics.

Keyword: L’Assommoir, Émile Zola, French press, Brazilian press, naturalism.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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