Mestrado

Dissertação 2019

Nome da autora : Beatriz Prudencio Pontes

Título do trabalho: El Camino a Ítaca: Alegoria do fim do século XX

Resumo

As conturbadas décadas que se estenderam no século XX e início do XXI expuseram ao mundo barbáries incomparáveis no espaço da história contemporânea, tais como a Shoah, em um contexto europeu, e as ditaduras cívico-militares, em contexto latino-americano. Como consequência desses anos, foi substancial a quantidade de produções artísticas que abordaram as experiências traumáticas pelas quais milhares de pessoas passaram. Na música, na pintura, no cinema e, inclusive, na literatura, foi significativo o número de testemunhos. Dentre aqueles que relataram essas vivências, está o escritor uruguaio Carlos Liscano – integrante do movimento marxista-leninista Tupamaros. Devido a este envolvimento, Liscano passou encarcerado durante os anos em que vigorou a ditadura no seu país. Foi graças aos episódios de tortura na prisão e o posterior exílio que o autor sofreu traumas psicológicos e físicos. Essas experiências traumáticas, por sua vez, aparecem frequentemente em sua obra literária, seja como forma de resistência, seja como forma de denúncia. Em El Camino a Ítaca, publicado em 1994, no entanto, percebe-se certa particularidade no que se julga em relação a outros títulos deste escritor. Neste romance, Liscano, através do protagonista em primeira pessoa, Vladimir, narra o movimento de diáspora no chamado momento em que galga o discurso de fim de utopias. Para tanto, o escritor faz uso predominante do artifício alegórico. Neste trabalho, pretende-se pensar o motivo de Liscano utilizar essa escrita por imagens para a criação deste livro, assim como a relação de algumas alegorias com o contexto histórico em que se passa o desenrolar da ficção, que corresponde àquilo que o historiador britânico Eric Hobsbawm denominou, em obra célebre, a Era dos extremos.

Palavras-chave: Trauma e representação; Literatura de testemunho; Diáspora; Alegoria; Carlos Liscano.

Resumen

Las conturbadas décadas que se extendieron en el siglo XX y inicio del XXI, expusieron al mundo barbaries incomparables en el espacio de la historia contemporánea, tales como la Shoah, en un contexto europeo, y las dictaduras cívico-militares, en contexto latinoamericano. Como consecuencia de estos años, fue sustancial la cantidad de producciones artísticas que abordasen las experiencias traumáticas por las que millares de personas pasaron. En la música, en la pintura, en el cinema y, incluso, en la literatura, fue significativo el número de testimonios. Entre tantas personas que relataron esas vivencias, está el uruguayo Carlos Liscano – integrante del movimiento marxista- leninista Tupamaros. Debido a este envolvimiento, Liscano pasó encarcelado los años en que vigoró la dictadura en el país. Fue por los episodios de tortura en la cárcel y por el posterior exilio que el autor sufrió traumas psicológicos y físicos. Esas experiencias traumáticas, por su vez, aparecen frecuentemente en su obra literaria, sea como forma de resistencia, sea como forma de denuncia. En El Camino a Ítaca, publicado en 1994, sin embargo, se percibe una particularidad en lo que se juzga con relación a otros títulos del uruguayo. En esta novela, Liscano, a través del protagonista en primera persona, Vladimir, narra el movimiento de diáspora en el llamado momento de fin de utopías. Para eso, el escritor hace uso predominante del artificio alegórico. Se pretende pensar, en este trabajo, el motivo de Liscano utilizar esa escrita por imágenes para la creación de este libro, así como la relación de algunas alegorías con el contexto histórico en que se pasa el desarrollo de la ficción, que el historiador británico Eric Hobsbawm denominó, en obra célebre, la Era de los extremos.

Palabras-clave: Trauma y representación; Literatura de testimonio; Diáspora; Alegoría; Carlos Liscano.

Abstract

The troubled decades that extended in the twentieth and early twenty-first centuries exposed the world to unparalleled barbarism in contemporary space such as the Shoah in a European context and civic-military dictatorships in a Latin American context. As a consequence of these years, there was a substantial amount of artistic productions that addressed the traumatic experiences that thousands of people went through. In music, in painting, in cinema, and even in literature, the number of testimonies was significant. Among those who reported these experiences, is the Uruguayan writer Carlos Liscano – member of the Marxist-Leninist Tupamaros movement. Due to this involvement, Liscano was imprisoned during the years of dictatorship in his country. It was thanks to the
episodes of torture in prison and the subsequent exile that the author suffered psychological and physical trauma. These traumatic experiences, in turn, often appear in his literary work, either as a form of resistance or as a form of denunciation. In El Camino a Ítaca, published in 1994, however, one perceives a certain peculiarity in what is judged in relation to other titles of this writer. In this novel, Liscano, through the protagonist in first person, Vladimir, narrates the movement of diaspora in the called moment in which gathers the discourse of end of utopias. For this, the writer makes predominant use of allegorical artifice. In this work, we intend to think of Liscano’s motive to use this writing for images for the creation of this book, as well as the relation of some allegories to the
historical context in which the unfolding of fiction, corresponding to what the British historian Eric Hobsbawm famously called the Age of extremes.

Keyword: Trauma and representation; Literature of testimony; Diaspora; Allegory; Carlos Liscano.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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