Mestrado

Dissertação 2018

Nome da autora : Tainá da Silva Moura Carvalho

Título do trabalho: Nana (1880) de Zola; descrições picturais da vida moderna

Resumo

O presente estudo tem como proposta uma leitura estética e discursiva das descrições picturais de locais de sociabilidade no romance Nana, publicado em 1880, de autoria de Émile Zola. O corpus dessa dissertação são as descrições dos locais parisienses de sociabilidade presentes na narrativa, tendo como recorte três espaços, a saber: o Théâtre des Variétés, o Passage des Panoramas e o hipódromo de Longchamp. O romance Nana narra a vida e morte de uma
cortesã nos três anos finais do Segundo Império francês (1851-1870) e apresenta uma narrativa que registra a vida moderna parisiense, desenvolvida por meio de descrições que podem ser lidas como descrições picturais (LOUVEL, 1997), identificadas através de determinados elementos de picturalidade como cor, luz e referências a técnicas pictóricas. Como estratégia metodológica de análise das descrições picturais, foi construído um quadro teórico que buscou compreender a trajetória (BOURDIEU, 1996) de Émile Zola no campo literário francês (BOURDIEU, 1996), evidenciando a estreita relação deste campo com o
campo pictórico, principalmente a relação de Zola com os pintores impressionistas. A trajetória do autor de Nana teve como resultado uma escrita pictural cujas características estéticas foram analisadas neste trabalho. Além disso, buscou-se também relacionar certos traços – como tema e técnica – da escrita de Zola a telas impressionistas que registram momentos da vida moderna, de pintores que compartilham preceitos estéticos com o romancista, em destaque Édouard Manet, Auguste Renoir e Jean Béraud. Este estudo se propôs a reflexão sobre o papel das descrições picturais na construção do enredo do romance
Nana, compreendendo as descrições picturais como parte do enredo, pois estas têm uma função narrativa além da ornamental e estética.

Palavras-chave: Zola, Nana, descrição pictural, locais de sociabilidade.

Résumé

Cette étude propose une lecture esthétique et discursive des descriptions picturales des lieux de sociabilités dans le roman Nana, publié en 1880, dont l’auteur est Émile Zola. Le corpus de ce mémoire est composé des descriptions de trois des espaces parisiens de sociabilité présents dans le récit : le Théâtre des Variétés, le Passage des Panoramas et l’hippodrome de Longchamp. Le roman Nana raconte la vie et la mort d’une courtisane pendant les trois dernières années du Second Empire en France (1851-1870) et présente la vie moderne parisienne, au moyen des descriptions qui peuvent être lues comme des descriptions picturales (LOUVEL, 1997), celles-ci pouvant être identifiées par quelques marqueurs de picturalité, comme la couleur, la lumière et aussi des références à certaines techniques picturales. Dans le but d’analyser les descriptions picturales, un cadre théorique a été construit, à fin de comprendre la trajectoire (BOURDIEU, 1996) d’Émile Zola dans le champ littéraire français (BOURDIEU, 1996), en mettant en relief l’étroite relation du champ littéraire avec le champ pictural, surtout les rapports de Zola avec les peintres impressionnistes. La trajectoire de l’auteur de Nana a eu comme résultat une écriture picturale
dont les caractéristiques ont été analysées dans ce travail. De plus, l’on a cherché aussi à établir un rapport entre quelques traits de picturalité – tels que thème et technique- de l’écriture de Zola et des toiles impressionnistes -qui fixent des moments de la vie moderne – des peintres qui partagent les idées esthétiques de Zola, notamment Edouard Manet, Auguste Renoir et Jean Béraud. Cette étude a tenté de présenter une réflexion sur le rôle des descriptions picturales dans la construction de l’intrigue du roman Nana. Les descriptions picturales ont une fonction narrative dans le récit, qui dépasse les fonctions ornementale et
esthétique.

Mots-clés: Zola, Nana, description picturale, lieux de sociabilité.

Abstract

The present study proposes an aesthetic and discursive reading of the pictorial descriptions of places of sociability in the romance Nana, published in 1880, by Émile Zola. The corpus of this dissertation is based on the descriptions of the Parisian sites of sociability present in the narrative, focusing on three spaces, such as: the Théâtre des Variétés, the Passage des Panoramas and Longchamp Racecourse. The novel Nana recounts the life and death of a courtesan in the final three years of the Second French Empire (1851-1870) and presents a narrative that records modern Parisian life, developed through descriptions that can be read as pictorial descriptions (LOUVEL, 1997), which can be identified by specific elements such as color, light and references to pictorial techniques. As a methodological strategy for the analysis of pictorial descriptions, a theoretical framework was developed which sought to understand the trajectory (BOURDIEU, 1996) of Émile Zola in the French literary field (BOURDIEU, 1996), showing the close relationship between this field and the pictorial field, mainly Zola’s relationship with the Impressionist painters. The trajectory of Nana’s author resulted in a pictorial writing whose aesthetic characteristics were analyzed in this work. In addition, we sought to relate certain traits – as a theme and technique – of Zola’s writing to Impressionist canvases, which record moments of modern life, of painters who share aesthetic precepts with the novelist, Edouard Manet, Auguste Renoir and Jean Béraud. This study proposed a reflection on the role of pictorial descriptions in the construction of the plot of the novel Nana, including pictorial descriptions as part of the plot, since they have a narrative
function besides ornamental and aesthetic.

Keyword: Zola, Nana, pictorial description, places of sociability.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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