Mestrado

Dissertação 2016

Nome da autora: Priscila da Silva Marinho

Título do trabalho: Discurso e processo de construção de sentidos: uma análise de produções escritas de licenciandos em Letras Português/Espanhol

Resumo

Esta investigação focou-se na análise da relação de sujeitos brasileiros com o Espanhol/LE por meio da observação dos processos heterogêneos de inscrição em discursividades da língua-alvo (Serrani, 1997a). Para tanto, foram acompanhadas aulas de uma determinada turma de licenciatura em Letras Português/Espanhol de uma instituição pública de ensino superior do Estado do Rio de Janeiro. O corpus formou-se a partir de produções escritas discentes, bem como questionários e atividades comparativas Espanhol/Português, com vistas a um levantamento do perfil dos sujeitos investigados, no que diz respeito à sua relação com a LE estudada. De maneira mais específica, foram examinados os (auto)discursos discentes que se referem aos graus de contato e de empatia/afetividade, bem como os graus de sensibilização e produção das diferenças que estes evidenciam ter com a LE, levando em consideração os modos distintos de enunciar em línguas como o Português e o Espanhol. Nosso intuito, desse modo, é tentar identificar as distintas formações discursivas (Serrani, 2010) que perpassam as materialidades linguístico-enunciativas dando pistas da heterogeneidade constitutiva (Corrêa 1997, 2004) da escrita desses discentes. Nossa investigação foi realizada à luz da perspectiva da Análise do Discurso de linha francesa (Foucault, Revuz, Serrani, Celada) e da abordagem de estudos linguístico-comparativos (González, Sebold, Araújo, Fanjul, Pinheiro-Corrêa) embasados em diferentes linhas teóricas. A metodologia adotada refere-se ao estudo de caso qualitativo por meio da observação participante (André, 2013). A análise dos dados levantados revelou que a maioria dos discentes assume um discurso de proximidade em relação à língua-meta, demonstrando estarem atravessados por uma relação de contato e de empatia/afetividade com referido idioma. Quanto à sensibilização e à produção das diferenças, foi observado que a maioria dos sujeitos não reconhece as formas passivas de maneira metalinguística, bem como não estão sensíveis às assimetrias da posição de sujeito. Por outro lado, o âmbito lexical foi consideravelmente apontado pelos estudantes como foco de diferença entre as línguas, paralelamente a certa uma sensibilização para as distintas formas passivas empregadas. No que concerne à produção escrita em ambas as línguas, a maioria dos sujeitos ficou localizada no estágio meio-termo, o que nos indicia que, por um lado, não ficaram fixos apenas a diferenciações lexicais e, por outro, não produziram diferenças que aludem às assimetrias do sujeito e de objeto. Diante disso, a sensibilidade dos estudantes recaiu sobre as formas verbais e assim muitos produziram diferenças entre formas passivas e/ou utilizaram uma forma passiva e uma forma ativa. Isso também nos indica que o não reconhecimento das passivas de maneira metalinguística na parte da sensibilização para as diferenças não se configurou como um empecilho para que muitos estudantes as produzissem na parte relativa à produção das diferenças. Além disso, também foram analisadas as concepções discentes acerca dos gêneros discursivos. Tais discursos se revelaram desgenerizados, no sentido de apresentarem regularidades que aludem às formações discursivas do senso comum, configurando-se como tendências esvaziadas e abstratas que não consideram a especificidade de uma LE nem a materialização mediante um gênero em particular. Os resultados mostraram-se favoráveis à nossa primeira hipótese de que os sujeitos perpassados por uma relação de maior contato e de empatia/afetividade com o universo da LE estão mais sensibilizados para as diferenças entre as línguas e assim são capazes de produzi-las, ao passo que sujeitos mais afastados da LE, a concebem como se a diferença entre o português e o espanhol se desse apenas em nível lexical. Por outro lado, também foram observados estudantes que assumiram um (auto)discurso de proximidade, mas não se sensibilizaram, nem produziram as diferenças enfocadas, o que nos dá pistas de que neste caso tais sujeitos mobilizaram a esfera que diz respeito a afirmação de um eu em LE, entretanto, na esfera que se refere às regularidades linguístico-enunciativas ainda realizam movimentos de enfrentamento e resistência no que tange a esse processo de inscrição subjetiva.

Palavras-chave: Língua Materna – Língua Estrangeira – Formações Discursivas – Heterogeneidade Constitutiva da Escrita – Inscrição em Discursividades.

Abstract

This paper focused on the analysis of relationship of Brazilian subjects to Spanish as Foreign Language through observation of inscription heterogeneous processes in discursivities of the target language (Serrani, 1997a). For this, classes of a particular group of Degree in Language Portuguese Spanish from a specific public institution of Higher education of state of Rio de Janeiro were watched during some months. The corpus was formed from students written productions, as well as questionnaires and comparative activities Spanish/Portuguese in order to create profiles of the subjects under study, with regard to their relationship to Spanish/Foreign Language. In a more specific way, we examined the self discourses of students which refer to the degrees of contact and empathy / affectivity as also the degrees of “sensibilization” to differences that these subjects demonstrate towards the Foreign Language, taking into consideration the different ways to enunciate in languages such as Portuguese and Spanish. Our research aims to identify the different discursive formations that run through the linguistic and enunciative materialities offering clues the constitutive heterogeneity of writing these students. The theoretical perspective used is based on French
Discourse Analysis (Foucault, Revuz, Serrani, Celada) and the comparative and linguistic studies approach (González, Sebold, Araújo, Fanjul, Pinheiro-Corrêa) supported by different theoretical perspectives. The methodological proposal is based on qualitative case study through participant observation (André, 2013). Data analysis revealed most of the students assume a proximity discourse in relation to the target language, demonstrating to be traversed by a relationship of contact and empathy / affectivity towards that language. With regard to “sensibilization” and production of differences, it was observed most of the subjects do not
recognize the passive forms in a metalinguistic way as well as they are not sensitive to asymmetries in the subject position. On the other hand, the lexical scope was considerably pointed by students as focus of difference between languages, in parallel to certain “sensibilization” towards the distinct passive forms employed. Concerning the written production in both languages, most of the subjects was located in stage of “in-between”, which indicates that on the one hand, the students were not fixed only lexical differentiation and the other they did not produce differences that allude to asymmetries of the subject and object. Thereby, the sensitivity of students lies on the verb forms: many students produced differences between passive forms and/or used a passive form and active form. This also tell us that the non-recognition of passive forms in a metalinguistic way was not an obstacle for many students producing them. In addition, it was also analyzed the students conceptions about discourse genres. These discourses revealed as “ungenred” ones in the sense of showing regularities that allude to the discursive formations of common sense by setting them up as empty and abstract tendencies which do not consider the specificity of a Foreign Language nor the materialization through a particular genre. The results of analysis were in favor of our first hypothesis that subjects who are traversed by a relationship of contact and empathy / afectivity to the universe of Foreign Language are more “sensibilized” to the differences between the languages and so are able to produce them, while subjects farther away from Foreign Language, conceive it as if the difference between Portuguese and Spanish was only in lexical level. On the other hand, it was also observed students who assumed a (self) discourse of proximity, but not were “sensibilized” nor produced the focused differences, which gives us clues that in this case these subjects mobilized the sphere regards the statement of a self in a Foreign Language, however, in the sphere with regard to linguistic and enunciative regularities these students still perform movements of confrontation and resistance with respect to this process of subjective inscription.

Keywords: Native Language – Foreign Language – Discursive Formations – Constitutive heterogeneity of writing – Inscription in discursivities.

Resumen

Esta investigación se centró en el análisis de la relación de sujetos brasileños con Español/Lengua Extranjera por medio de la observación de los procesos heterogéneos de inscripción en discursividades de la lengua meta (Serrani, 1997a). Con esto, se observaron las clases de un grupo en particular de licenciatura en Letras Portugués/Español de una institución pública de educación superior del estado del Río de Janeiro. El corpus se formó a partir de producciones escritas de los estudiantes, así como cuestionarios y actividades comparativas Español/Portugués con el fin de generarse un perfil de los sujetos investigados, con respecto a su relación con la Lengua Extranjera que se estudia. Más específicamente, se examinaron los (auto) discursos de los estudiantes que hacen referencia al grado de contacto y la empatía/ afectividad, así como el grado de sensibilización y la producción de las diferencias que tales alumnos demuestran hacia la Lengua Extranjera, teniendo en cuenta los diferentes modos de enunciarse en idiomas como el portugués y el español. Nuestro objetivo, por lo tanto, consiste en intentar identificar las diferentes formaciones discursivas (Serrani, 2010) que atraviesan las materialidades linguísticas y enunciativas insinuando la heterogeneidad constitutiva (Correa, 1997, 2004) de la escritura de estos estudiantes. Nuestra investigación se llevó a cabo a la luz de los aportes del Análisis del Discurso de línea francesa (Foucault, Revuz, Serrani, Celada) y del enfoque de los estudios linguísticos y comparativos (Gónzalez, Sebold, Araújo, Fanjul, Pinheiro-Corrêa) que se basan desde distintas líneas teóricas. La metodología que se adoptó se refiere al estudio de caso cualitativo a través de la observación participante (André, 2013). El análisis de los datos reveló que la mayoría de los estudiantes asume un discurso de proximidad en relación al idioma meta, lo que demuestra que les atraviesa una relación de contacto y empatía/ afectividad con dicho idioma. En cuanto a la sensibilización y la producción de las diferencias, se observó que la mayoría de los sujetos no reconoce las formas pasivas de manera metalingüística, ni está sensible a las asimetrías en la posición de sujeto. Por otro lado, el ámbito léxico fue considerablemente nombrado por los alumnos como nivel de diferencia entre las lenguas, junto con una cierta sensibilización a las distintas formas pasivas empleadas. En cuanto a la producción escrita en ambos idiomas, la mayoría de los sujetos se encuentra en la etapa “intermedia”, lo que nos indica que, por un lado, no se fijó solamente en una diferenciación léxica y por otro no produjo diferencias que se refieren a las asimetrías del sujeto y el objeto. De esta manera, la sensibilidad de los estudiantes recayó sobre las formas verbales y así muchos produjeron diferencias entre las formas pasivas y/o utilizaron una forma pasiva y una forma activa. Esto también nos dice que el no reconocimiento de las pasivas de manera metalingüística no se presentó como un obstáculo y así muchos estudiantes las produjeron. Además, también se analizaron las concepciones de los estudiantes acerca de los géneros discursivos. Tales discursos se revelaron “desgenerizados”, en el sentido de presentar regularidades que hacen referencia a las formaciones discursivas del sentido común, al establecer tendencias vacías y abstractas que no consideran la especificidad de una lengua extranjera, ni la materialización a través de un género en particular. Los resultados del análisis de los corpora fueron favorables a nuestra primera hipótesis que nos dice que los sujetos marcados por una relación de mayor contacto y empatía/afectividad con el universo de la lengua extranjera están más sensibilizados para las diferencias entre las lenguas y así son capaces de producirlas, mientras que los sujetos más alejados de la lengua extranjera, la miran como si la diferencia entre el portugués y el español se produjera solamente en el nivel léxico. Por otro lado, también se observó a los estudiantes que tomaron un (auto) discurso de proximidad, pero no se sensibilizaron ni produjeron las diferencias enfocadas, lo que nos da pistas de que en este caso tales sujetos movilizaron la esfera que se refiere a la afirmación de un “yo” en lengua extranjera, sin embargo, en la esfera en la que se refiere a las regularidades linguísticas y enunciativas todavía realizan movimientos de afrontamiento y resistencia con respecto a este proceso de inscripción subjetiva.

Palabras clave: Lengua Materna – Lengua Extranjera – Formaciones discursivas – Heterogeneidad constitutiva de la escritura – Inscripción en discursividades.

Cláudia Heloisa Impellizieri Luna Ferreira da Silva

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Miguel Ángel Zamorano Heras

 

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