Mestrado

Dissertação 2019

Nome da autora: Glaucia Moreira Secco

Título do trabalho: Cuando a nosotras no nos quieren tanto, nos reunimos e tomamos a palavra: a violência de gênero em um romance de Marcela Serrano.

Resumo

Historicamente, a literatura e o campo intelectual estiveram dominados por homens. Tal perspectiva aprofunda-se em problematizações quando se pensa em ancorar esses estudos
no contexto latino-americano, na medida em que a multiplicidade de países, histórias e culturas presentes no continente torna o mapeamento da literatura escrita por mulheres uma
tarefa de revisão, reconstrução e desconstrução da história que se conta do tempo presente das sociedades latino-americanas, a partir da análise narratológica de suas personagens. Por isso, investigar este campo literário é importante, porque transforma as mulheres em sujeitos de seu próprio discurso, desprendendo-as da consolidada produção masculina, sexista e patriarcal que permeia o imaginário literário há séculos. Nesse sentido, à luz do conceito de violência simbólica (BOURDIEU, 1998), da crítica literária feminista latino-americana (RICHARD,
2002) e dos estudos de gênero norte-americanos (SCOTT, 1995; FLAX, 1991; BUTLER, 1990), este trabalho propõe-se a pensar sobre as diferentes manifestações de violências de gênero presentes no romance Nosotras que nos queremos tanto (1990), da escritora chilena Marcela Serrano. Partimos de uma análise de gênero relacional, por meio de uma leitura analítico-discursiva da narrativa, na qual os relatos das mulheres estão diretamente relacionados aos discursos masculinos com os quais elas se relacionam social, política e emocionalmente, sejam estes representados pelos maridos, namorados, amantes ou o mundo político. Em sua construção discursiva, a autora evidencia essas relações, por meio da polifonia de vozes narrativas de mulheres, cada qual permeada por enredos individuais que se costuram aos demais e formam um amálgama discursivo que denuncia os matizes sutis dessas interações entre masculinidades e feminilidades, em conversas que discutem, vivenciam e constroem diálogos genderificados, ou seja, diálogos possibilitados a partir das questões de gênero. Nesse sentido, o problema que pretendemos esmiuçar é: de que maneira essas quatro vozes narrativas representam uma transgressão aos papéis de gênero tradicionalmente atribuídos pela sociedade e pela literatura às mulheres?

Palavras-chave: Gênero. Literatura latino-americana. Mulheres. Violência simbólica.

Resumen

Históricamente, la literatura y el campo intelectual han sido dominados por varones. Esta perspectiva profundiza la problematización si pensamos en ancorar estos estudios en el
contexto latinoamericano, ya que la multiplicidad de países, historias y culturas presentes en el continente induce que el mapeo de la literatura escrita por mujeres sea una tarea de revisión, reconstrucción y deconstrucción de la historia del tiempo presente de las sociedades latinoamericanas, basada en el análisis narrativo de los personajes. Por lo tanto, investigar este campo literario es importante porque transforma a las mujeres en sujetos de su propio discurso, separándolas de la producción masculina, sexista y patriarcal consolidada que ha
impregnado la imaginación literaria durante siglos. En este sentido, a la luz del concepto de violencia simbólica (BOURDIEU, 1998), de la crítica literaria feminista latinoamericana
(RICHARD, 2002) y de los estudios de género estadounidenses (SCOTT, 1995; FLAX, 1991; BUTLER, 1990), esta tesina pretende reflexionar sobre las diferentes manifestaciones de
violencia de género presentes en la novela Nosotras queremos tanto (1990), de la novelista chilena Marcela Serrano. Partimos de un análisis de género relacional a través de una lectura
discursivo-analítica de la narrativa, en la que los informes de las mujeres están directamente relacionados con los discursos masculinos con los que se relacionan social, política y
emocionalmente, ya sea que estén representados por esposos o novios, amantes o el mundo político. En su construcción discursiva, la autora destaca estas relaciones a través de la
polifonía de las voces narrativas de las mujeres, cada una permeada por tramas individuales que se unen entre sí y forman un amalgama discursivo que denuncia los sutiles matices de
estas interacciones entre masculinidades y feminidades, en particular. Conversaciones que discuten, viven y construyen diálogos de género, es decir, diálogos posibles basados en
cuestiones de género. Así que el problema que aspiramos a tratar es: desde el punto de vista del acto narrativo de cada personaje, cómo estas cuatro voces representan una transgresión de los roles de género que en el pasado fueron tradicionalmente atribuidos por la sociedad y por la literatura a las mujeres?

Palabras clave: Género. Literatura latinoamerica. Mujer. Violencia simbólica.

Abstract

Historically, literature and the intellectual field have been dominated by men. Such perspective deepens into problematization when thinking about anchoring these studies in the
Latin American context, because the multiplicity of countries, histories and cultures present in the continent makes the mapping of literature written by women a task of review,
reconstruction and deconstruction of the history of the present tense of Latin American societies, based on the narrative analysis of the characters. Therefore, investigating this
literary field is important because it transforms women into subjects of their own discourse, detaching them from the consolidated male, sexist and patriarchal production that has
permeated the literary imagination for centuries. In this sense, in the light of the concept of symbolic violence (BOURDIEU, 1998), Latin American feminist literary criticism
(RICHARD, 2002) and American gender studies (SCOTT, 1995; FLAX, 1991; BUTLER, 1990), this paper intends to think about the different manifestations of gender violence present
in Marcela Serrano’s novel Nosotras que nos queremos tanto (1990), a Chilean writer. We start from a relational gender analysis through a discursive-analytic reading of the narrative, in
which women’s reports are directly related to the male discourses with which they relate socially, politically and emotionally, whether these are represented by husbands, boyfriends,
lovers or the political world. In her discursive construction, the author highlights these relationships through the polyphony of women’s narrative voices, each permeated by
individual plots that sew into each other and form a discursive amalgam that denounces the subtle nuances of these interactions between masculinities and femininities, in particular.
Conversations that discuss, live and build gendered dialogues, that is, dialogues made possible based on gender issues. In this sense, the problem we intend to address is: from the point of
view of the narrative act of each character, how these four narrative voices represent a transgression of gender roles that in the past were traditionally attributed by society and by
literature to women?

Keywords: Gender. Latino American Literature. Women. Symbolic violence.

Letícia Rebollo Couto

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Ary Pimentel

 

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Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas
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