Mestrado

Dissertação 2020

Milena Vargas dos Santos Ferreira

Título do trabalho: Nápoles: substantivo feminino A cidade e a mulher na Tetralogia de Elena Ferrante

Orientador(a): Fabiano Dalla Bona

Páginas: 108

Resumo

Esta dissertação objetiva investigar a construção narrativa da cidade de Nápoles na Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante à luz de um viés fenomenológico, isto é, levando em conta as experiências opostas das duas protagonistas no bairro periférico onde nasceram e nos espaços que ocuparam posteriormente. Utilizamos o conceito de espaço desenvolvido por Bachelard (1978) e Yi-Fu Tuan (2013), que pensam o espaço enquanto experiência do humano. Na Tetralogia, a cidade é um ponto de partida, e como tal funciona não apenas como cenário, mas como movimento, força de construção dos sujeitos. As duas amigas se reconhecem na cidade natal ao afastarem-se, perderem-se, desmarginarem-se, e seu “dialeto”, a língua materna, soa a seus ouvidos como uma língua barbárica, um balbuciar de sons opressores que comunicam mais violência do que afeto. Considerando os conceitos de unidade e unicidade do ser propostos pela filósofa Adriana Cavarero (2011) em associação com a narrativa da cidade, nossa proposta foi estabelecer um paralelo entre a construção identitária das protagonistas e a unidade narrativa do espaço edificado pelo texto, de maneira a conceber os volumes da série como uma metanarrativa – uma obra que reflete sua própria construção. Se o conceito de identidade é uma construção da linguagem (SILVA, 2014), os discursos sobre a cidade e sobre as protagonistas entrelaçam-se a ponto de influenciarem o reconhecimento das personagens enquanto cidadãs napolitanas, assim como interferem nas posições que os sujeitos assumem no mundo – dentro ou fora dos romances.

Palavras-chave: Elena Ferrante, cidade, identidade, mulher, narratividade, filosofia
da narração

Riassunto

Questa tesi mira a indagare la costruzione narrativa della città di Napoli nella serie L ́amica geniale di Elena Ferrante alla luce di uno sguardo fenomenologico, cioè tenendo conto delle esperienze opposte delle due protagoniste nel quartiere periferico dove sono
nate e negli spazi che in seguito hanno occupato. Abbiamo usato il concetto di spazio sviluppato da Bachelard (1978) e Yi-Fu Tuan (2013), che pensano allo spazio come un’esperienza umana. Nella opera, la città è un punto di partenza e come tale funziona non
solo come scenario, ma come movimento, una forza per la costruzione di soggetti. Le due amiche si riconoscono nella loro città natale mentre si allontanano, si perdono, si rompono e il loro “dialetto”, la lingua madre, suona alle loro orecchie come un linguaggio barbaro,
un brontolio di suoni opprimenti che comunica no più violenza che affezione. Considerando i concetti di unità e unicità del sè proposti dalla filosofa Adriana Cavarero (2011) in associazione con la narrazione della città, la nostra proposta è stata quella di stabilire un parallelo tra la costruzione dell’identità dei protagonisti e l’unità narrativa dello spazio costruito dal testo, al fine di concepire i volumi della serie come una metanarrativa – un’opera che riflette la sua stessa costruzione. Se il concetto di identità è una costruzione del linguaggio (SILVA, 2014), i discorsi sulla città e sui protagonisti si intrecciano al punto da influenzare il riconoscimento dei personaggi come cittadini napoletani, nonché interferire con le posizioni che i soggetti assumono nel mondo – dentro o fuori i romanzi..

Parole-chiave: Elena Ferrante, città, identità, gender, narratività, filosofia della narrazione.

Abstract

This dissertation aims to investigate the narrative construction of the city of Naples in Elena Ferrante’s Neapolitan novels in the light of a phenomenological bias, that is, taking into account the opposite experiences of the two protagonists in the peripheral neighborhood
where they were born and in the spaces they later occupied. We have used the concept of space developed by Bachelard (1978) and Yi-Fu Tuan (2013), who think of space as an experience of the human. In the Neapolitan series, the city is a starting point, and as such it
works not only as a scenario, but as a movement, a force for the construction of subjects. The two friends recognize each other in their hometown as they move away, get lost, break apart, and their “dialect”, the mother tongue, sounds to their ears like a barbaric language, a babble of oppressive sounds that communicate more violence than affection. Considering the concepts of unity and uniqueness of being proposed by the philosopher Adriana Cavarero (2011) in association with the narrative of the city, our proposal was to establish a parallel between the identity construction of the protagonists and the narrative unity of the space built by the text, in order to conceive the series’ volumes as a metanarrative – a work that reflects its own construction. If the concept of identity is a construction of language (SILVA, 2014), the discourses about the city and about the protagonists are intertwined to the point of influencing the recognition of the characters as Neapolitan citizens, as well as interfering in the positions that the subjects assume in the world – inside or outside the novels.

Keywords: Elena Ferrante, city, identity, woman, narrative, narration philosophy

Letícia Rebollo Couto

Vice-Coordenador/Deputy Coordinator

Ary Pimentel

 

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